
Alguns descrentes previam um jogo ruim no Pacaembu. Azar o deles, porque o que se viu na tarde de hoje foi um grande Majestoso, com direito a sete gols e cheio de reviravoltas. Melhor para o Corinthians que venceu o clássico no sufoco, manteve-se na briga pelo G-4 do Paulista e ainda sustentou o tabu diante do arquirrival. E, melhor ainda, em um jogo digno do nome que carrega. Uma partidaça mesmo.
Os dois clubes entraram pressionados em razão das derrotas no meio de semana, ainda que o São Paulo permanecesse no grupo dos quatro, enquanto o alvinegro precisava da vitória a todo custo para seguir sonhando. Mas havia também um tabu a ser quebrado pelo clube do Morumbi, de oito jogos e três anos sem vitórias sobre o maior rival. Além da equipe de Ricardo Gomes não ter vencido nenhum clássico em 2010.
Já no plano tático a partida seria decidida no meio-campo. Pelo lado corintiano, um meio de muita movimentação e com variação de jogadas. Já do lado tricolor, um meio mais técnico, embora muito cadenciador.
O JOGO O clássico começou morno com os rivais se estudando e se respeitando muito. Aos poucos, o time de Mano Menezes foi se soltando e começou a ter domínio do jogo. Domínio que se traduziu na primeira grande jogada do clássico, com duas bolas alvinegras em sequência na trave do São Paulo e uma bela defesa de Rogério em chute de Wiliam.
A jogada acendeu o Corinthians. Ainda antes dos 20 minutos, Elias surgiu na velocidade, recebeu belo passe de primeira de Ronaldo e, de fora da área, concluiu com um belo chute colocado. Indefensável para Rogerio. Um a zero no Pacaembu para fazer justiça ao que era o jogo até então.
O São Paulo tentou empatar em alguns chutes de fora da área. Mas era pouco, muito pouco para um Majestoso. Aos 34, o Corinthians chegou ao segundo depois de bobeada de Miranda dentro da área, que perdeu uma bola que era inteira sua. Na sequência a bola para sobrou Danilo chutar de direita e fazer um golaço no ângulo de Rogerio que se esticou até onde pôde.
Com dois a zero no placar, os 23 mil pagantes, em sua maioria alvinegros, pediam goleada no Pacaembu. Mas soava pretenso demais para um Majestoso. Ainda na saída de bola, Dentinho e Washington se desentenderam e foram ambos corretamente expulsos. Dez contra dez e o jogo ficava ainda mais aberto.
Com a superiodade em campo traduzida no placar, o Corinthians cozinhava o São Paulo em banho-maria esperando ir para o intervalo com bela vantagem que tinha. Mas aí Dagoberto fez boa jogada pela esquerda, foi até a linha de fundo e cruzou para a chegada-surpresa de Jean que só escorou e diminuiu a vantagem alvinegra. Era tudo o quê o São Paulo precisava.
No segundo tempo, Ricardo Gomes sacou um nulo Léo Lima para a entrada de Fernandinho. O São Paulo queria o empate e, finalmente, ousava para isso. Mas logo aos sete, Roberto Carlos tinha uma falta frontal, do jeito que ele gosta. O lateral soltou uma bomba rasteira, com efeito no campo molhado e Ceni aceitou para delírio da Fiel.
O São Paulo, em desvantagem, partiu pro tudo ou nada. O Corinthians se segurava com certa tranquilidade e podia até fazer o quarto tamanho era o buraco que a equipe tricolor deixava atrás. Mas pecou pelo preciosismo e por optar pela cadência.
A solução são-paulina foi contar com a sorte e a imaturidade do goleiro Rafael Santos. Aos 30, o arqueiro soltou uma bola fácil de Hernanes nos pés de Rodrigo Souto. O São Paulo diminuiu e passou a buscar o empate.
Elias, cansado, deu luga a Tcheco. Mal na partida, Hernanes deu lugar a Cicinho. Aos 37, Cicinho cobrou falta e alçou na área, o goleiro alvinegro saiu bisonhamente errado e Rodrigo Souto empatou a partida. A torcida são-paulina, em minoria, passou a ser ouvida. E ainda zombava da provável eliminação da equipe de Mano Menezes no ano de seu Centenário. O empate para o São Paulo estava de excelente tamanho. Para o Corinthians, era a catástrofe.
Jorge Henrique entrou no lugar de Danilo e depois foi a vez de Iarley aparecer no lugar de Ronaldo, que esteve abaixo do esperado, apesar do bom passe no gol de Elias. Era tudo ou nada para o Corinthians. Naquele momento, pouco importava a manutenção do tabu.
Mas, nos acréscimos, o grande desfecho para o clássico. Iarley fez boa jogada na entrada da área, cortou dois defensores tricolores e chutou com força, cruzado, na esperança de encontrar alguma alma alvinegra que desviasse a bola. E acabou encontrando a cabeça de Alex Silva que tentou cortar e mandou de forma estranha para o gol. Abatido, Rogerio nada pôde fazer. Era a redenção alvinegra depois de duas derrotas no Paulista.
Aí foi só comemorar. Quatro a três em um belo clássico. Com a vitória o Corinthians dá um bico na crise que se aproximava do Parque. De quebra, passa o bastão para o rival tricolor. Mesmo dentro do G-4, é o time de Ricardo Gomes quem precisa provar agora.
Enfim, venceu quem jogou melhor. Venceu quem fez por merecer.
*créditos das fotos: Agência Estado