Rodada a rodada, a matemática do Brasileiro vai clareando e definindo quem é quem no campeonato. A derrota colorada de ontem, na Arena Barueri, praticamente sepulta qualquer chance de título gaúcho. Se tínhamos quatro brigando até então, agora sobram apenas três. A trinca de quem sonha alto está feita. E não deve ser alterada até o fim. Fluminense, Corinthians e Cruzeiro. O título de 2010 ficará no Sudeste.
JOGO A JOGO - RESUMO DA RODADA
A rodada que começou na terça com um empate desesperador entre um desesperado Goiás e um preocupante Flamengo e a, enfim, vitória vascaína sobre o Santos de Neymar, teve sequência na noite de quarta com mais oito jogos. Cinco deles, excepcionais. Além de boa média de gols, 2,7 por partida.
MANDANTES BEM NAS ARENAS

Na outra Arena, a de Barueri, o Palmeiras de Felipão, com dois petardos de Marcos Assunção, bateu um Inter desfalcado e engatou a terceira vitória consecutiva no Brasileiro. Algo raro neste campeonato, aliás. Mas que vem em boa hora para dar moral na Sul-Americana.
Fechando os jogos das Arenas, a Baixada viu seu Atlético, o paranaense, vencer mais uma nesta belíssima campanha do clube no Brasileiro. E hoje, o Atlético estaria não só sonhando como já dentro da zona de classificação à Libertadores, não fosse a atitude desmedida da Conmebol que retirou uma vaga brasileira para o ano que vem. Talvez pelo medo da supremacia brasileira já há alguns anos na competição.
FLU, NO SUFOCO!

E no Raulino de Oliveira o líder Fluminense suou um bocado para bater o decadente Avaí, com gol de Conca, só aos 37 da segunda etapa. E foi num sufoco só, ainda mais para quem julgava que os cariocas teriam vida fácil pela frente.
Mas mais uma vez, o argentino Conca resolveu. E, assim como em 2005 quando foi com Tevez, o Brasileirão deste ano tem tudo para ter um argentino como melhor da competição. Mesmo que seja sem título, até porque ano passado o prêmio foi para Diego Souza, quinto colocado com o Palmeiras.

Já no Pacaembu, para mais de 25 mil presentes, Corinthians e Botafogo faziam o clássico dos alvinegros. Se o jogo já prometia antes do início, com menos de três minutos, Bruno César tratou de incendiá-lo ainda mais com um golaço em chute colocado no ângulo direito de Jefferson. O Botafogo, naquele momento, se atordoava com a correria dos paulistas, tamanha velocidade e empenho do time de Adílson.
Na base do perdido por um, perdido por mil, o time carioca lançou-se ao ataque. O jogo ficou aberto e Loco Abreu quase empatou na sequência, em falha da defesa alvinegra que o deixou sozinho na área para dominar e chutar no travessão de Julio César. Era o prenúncio do que estava por vir.
Pouco depois, Herrera levantou na área, Wiliam não fez cobertura em Abreu e Alessandro falhou na marcação do centroavante carioca deixando-o sozinho para o cabeceio fatal. Um a um no Pacaembu e o jogo prometia ainda mais já que, àquela altura, o Flu fazia um a zero suado no Avaí e seguia mantendo a ponta. De quebra, botava pressão em cima do vice-líder.
No segundo tempo, foi um festival de gols perdidos. E por ambos. Paulinho desperdiçou um chute cara a cara com Jefferson. Depois foi a vez de Elias assustar em chute que passou rente à trave. Minutos antes, Herrera até fez para o Botafogo, mas o assistente assinalou impedimento inexistente.
Nos dois últimos lances do jogo já nos acréscimos, o time carioca ainda desperdiçou mais duas chances. Uma com Somália e outra com Caio que, egoísta, quis ser o nome do jogo e não passou a bola para Abreu, livre e em condições de virar. Diante da circunstâncias e do erro, o torcedor corintiano não tem muito do quê reclamar.
O Corinthians poderia até contentar-se com um empate com o Galo na próxima quarta, em jogo fora de casa. Com o resultado de ontem, não pode mais.
NO DUELO DOS TRICOLORES, DEU A LÓGICA

No Sul, o São Paulo de Baresi foi presa fácil para o Grêmio de Renato Gaúcho. Quatro a dois no Olímpico, com direito a falha de Rogerio Ceni no quarto gol gremista.
O mandatário são-paulino Juvenal Juvêncio, agora mais do que nunca, sabe que o Morumbi receberá a Copa do Brasil. Só que a de 2011 e a nacional. Não a Mundial.
Depois de sete anos, o time paulista não mais disputará a competição continental. Um prejuízo enorme para os cofres do clube. A não ser que ocorra uma hecatombe na tabela. E, claro, o São Paulo vença todos seus jogos. Aí é que a questão fica um pouco mais difícil.
* Crédito das fotos: Agência Vipcomm